terça-feira, 21 de julho de 2020

Vírgula antes de etc.


1)) Atualmente é  facultativo o uso da vírgula antes de etc., no entanto,  os grandes gramáticos  em sua maioria colocam vírgula antes de etc.

2)) Cegalla (2008) explica a origem e significado: "ETC. Abreviatura da expressão latina et cetera 
(= e as demais coisas). Costuma-se usar vírgula antes dessa abreviatura, embora ela contenha a conjunção e: Consertam-se fogões, geladeiras, máquinas de lavar, etc."

3)) Aliás, a defesa para não se usa a vírgula antes de etc. é etimológica, quem apoia tal doutrina, argumenta que não se usa vírgula antes da conjunção e (et). Todavia, se essa verdade etimológica for usada como justificativa, devemos abolir o "se" de suicida-se por se redundante. 
Continua Cegalla(2008): "este uso da vírgula (antes de etc.) é abonado pelo Vocabulário Ortográfico da ABL e por filólogos e gramáticos (Aurélio, Celso Cunha, BecharaGama Kury). Todavia, não constitui erro omitir 
o dito sinal de pontuação, neste caso. Há gramáticos, como Pasquale Cipro Neto, e lexicógrafos, como Houaiss, que não o usam."

4)) Para Costa (2004), a vírgula é obrigatória e explica : " quanto à pontuação, a rigor, seria etimologicamente inconcebível o uso da vírgula antes de etc.(...)".  Arnaldo Niskier (apud Costa, 2004) colabora e diz que a vírgula deve ser usada. E que o argumento de que originalmente a palavra já contém o e (et) não vale, pois o que conta é o acordo ortográfico vigente, e, diga-se de passagem, já não falamos latim, mas sim português.
Mesmo o novo Acordo ortográfico (2008) traz a vírgula antes do etc. 

5)) Saconni (2008) também considera a vírgula obrigatória: "não são poucos que desconhecem o PVOLP (pequeno vocabulário da língua portuguesa, que traz a vírgula em todos os seus parágrafos); daí encontramos a referida abreviatura sem a competente é necessária  vírgula anteposto até em compêndios que versam sobre a língua portuguesa."

6)) Não se deve usar a conjunção e antes de etc.:

A) Comprou leite, carne, suco e etc (errado). 

Creio que aqui as pessoas assim escrevem porque vêem etc. como uma palavra, não pensam  no seu sentido etimológico. É por isso que se coloca "e" antes de etc. 
A vírgula é recomendada antes de etc.,  já que a pronúncia também colabora pelo uso da vírgula:

B) Comprou leite, carne, suco  etc.

C) Comprou leite, carne, suco, etc.

A segunda frase soa melhor, porque sempre fazemos uma pausa. 

7)) "Pode-se empregar etc., mesmo com referência a pessoas e animais."(Cegalla,2008).

A) No museu havia gatos ,cães, aves, etc.

Alguns proliferadores de mitos gramaticais dizem que etc.  deve se referir só a objetos e coisas. Mas isso não é verdade. 

8)) Mestres, como Mattoso Câmara Jr. (1972,1981,2002) e Said Ali (1964), pelo uso nos seus livros, nos dão a ideia de vírgula facultativa. Novos autores de gramáticas (Fernando Pestana(2019), Marcelo Rosenthal (2011), Manoel P. Ribeiro (2011)) também preferem não usar,  eles afirmam que o uso é facultativo.

9)) Mesmo sem tocar no assunto, Celso Cunha (1980), Cunha/Cintra (2001), Eduardo Carlos Pereira (s/d), Rocha Lima (2000),  Evanildo Bechara (2002, 2009),Silveira Bueno (1968) e Epifânio Dias (1970), observando suas gramáticas, percebemos que o uso é obrigatório. Polêmicas, polêmicas...da Língua Portuguesa culta. Mesmo hoje o uso sendo facultativo, o assunto ainda causa divergência.

Referências 

ALI, M.Said.Gramática secundária e Gramática histórica da língua portuguesa.  Brasília : UnB, 1964. 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

BUENO, Silveira. Gramática normativa da língua portuguesa: curso superior.7.ed. São Paulo: Saraiva,1968.

CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Dicionário de linguística e gramática. 9.ed. Petrópolis : Vozes,1981.

CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Manual de expressão oral & escrita . 21. ed. Petrópolis : Vozes,2002.

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso.  Princípios de linguística geral. 4.ed. Rio de Janeiro : Livraria Acadêmica ,1972. (Volume 5, Biblioteca brasileira de filologia)

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.

COSTA, José Maria da. Manual de redação profissional. 2.ed.Campinas: Millenium,2004.

CUNHA, Celso Ferreira da. Gramática da língua portuguesa. 7.ed. Rio de Janeiro : FENAME, 1980.

CUNHA, Celso & CINTRA , Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3.ed. Rio de Janeiro : Nova fronteira, 2001.

DIAS, Augusto Epiphanio da Silva. Syntaxe histórica portuguesa. 5.ed. Lisboa: Livraria clássica editora , 1970.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática expositiva : curso superior.  94.ed. São Paulo : Companhia editora nacional, sem data. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.

SACONNI,Luiz Antonio. Nossa gramática completa Saconni: teoria e prática.  29.ed. São Paulo : Nova geração, 2008.


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