domingo, 8 de novembro de 2020

EM MÃO / EM MÃOS ???

1) Dicas de português culto se proliferam pelas redes sociais e os malefícios estão nestas postagens que ensinam errado.  E não são poucas dicas cheias de incorreções.  Aff !!!

2) EM MÃO/ EM MÃOS 👉 segundo Domingos P. Cegalla(2008, p.149): "expressões que se usam para indicar que uma correspondência ou uma encomenda devem ser entregues diretamente ao destinatário por um particular e não pelo correio. As duas formas são corretas, mas no Brasil se emprega geralmente EM MÃOS : entregar uma carta EM MÃOS  (ou EM MÃO )."
3) Estes gramáticos, assim como o citado acima, aceitam as duas expressões : Fernando Pestana, Pasquale C.Neto, Antenor Nascentes, Napoleão M. de Almeida, Maria Helena de Moura Neves, J.M.da Costa, C.Moreno, J.Mário Costa (site ciberdúvidas ), etc. Além disso, a ABL também aceita assim como os dicionaristas : Antonio Houaiss e Caldas Aulete.(Pestana,2019).

Referências 
CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.
COSTA, José Maria da .Em mão ou Em mãos?. Acesso em 05 de julho de 2020.
COSTA , José Mário. A expressão «em mão(s)». Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Consultado em 05-07-2020.

NASCENTES, Antenor. Dicionário da língua portuguesa(ABL). Bloch editores, sem ano. 

PESTANA, Fernando . As dúvidas de português mais comuns em concursos . E-book.site da editora Gen.2019. 

domingo, 9 de agosto de 2020

A pronúncia da palavra Sintaxe

1) É bem sabido daqueles que estudam a nossa amada língua que a letra X tem variados sons :
A) tóxico  (ks/cs)
B) êxito  (z)
C) têxtil  (s)
D) sintaxe (ss)[sintássi]
E) xícara  (ch)

2) O Vocabulário ortografico da língua portuguesa (VOLP), da ABL, Silveira Bueno, Antenor Nascentes ( Dicionário da língua portuguesa (ABL)) e os dicionários Michaelis e Priberam confirmam que o X em sintaxe tem som de ss

3) Entretanto o dicionário Caldas Aulete e o gramático Cegalla (2008, p.385) abonam a pronúncia de (cs)[sintáksi] também , além de ss. Já Evanildo Bechara(2009,p.80) e Manoel P.Ribeiro (2011, p.64) dizem que o som é  de  s. 

4) Para completar vejamos esta resposta do site Ciberdúvidas, de13 março 2002,  sobre a pronúncia de x em sintaxe: " À exceção do dicionário Aulete digital, que regista também a pronúncia /cs/ de sintaxe, os demais dicionários de referência para a língua portuguesa atestam apenas a pronúncia com /ss/. É o caso do Dicionário Houaiss, do Grande Dicionário da Língua Portuguesa, do dicionário da Porto Editora, do Michaelis e do Dicionário da Língua Portuguesa da Texto Editora.


Sintaxe é palavra atestada, pelo menos, desde 1699 (datação do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pelo que se torna provável que foi pela via latina que ela se enraizou em português, com a prolação similar a  próximo e a máximo, por exemplo. Sinta[ss]e é, portanto, a pronúncia tradicional e a que é geralmente recomendada na lexicografia, incluindo os vocabulários ortográficos existentes, tanto nos posteriores ao Acordo Ortográfico de 1990,* como nos anteriores**.


* Vocabulário Ortográfico e Remissivo, de Gonçalves Viana, 1913
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Academia das Ciências de Lisboa, 1940
Vocabulário da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, 1966
**Vocabulário Ortográfico do Português, ed. Portal da Língua Portuguesa
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, coord. de João Malaca Casteleiro (Porto Editora, na Infopédia )
Vocabulário Ortográfica da Língua Portuguesa, da Academia da Ciências de Lisboa (em linha, 2018)
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.
Também se encontra a indicação de que o x de "sintaxe" se pronuncia [s] no Manual de Língua Portuguesa, de Paul Teyssier (Coimbra Editora, 1989, p. 59) .
A pronúncia de sintaxe está descrita com [s]  também no livro Fonética do Português Europeu, de António Emiliano (Guimarães Editores, 2009, p. 106), sendo este vocábulo associado a palavras como aproximar, reflexão,  máximo e próximo.
Finalmente, refira-se que no Acordo Ortográfico de 1945 (Documento n.º 2 : Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945 – 6) já se fazia referência à pronúncia de sintaxe, distinguindo a pronúncia da sua origem etimológica: «sintáctico, como sintaxe (x=ss, mas etimologicamente cs)» 
Carla Marques/Carlos Rocha"

5) Acrescento que o acordo de 1945 não foi seguido pelos brasileiros. Mas o de 1943, continuou em vigor e com acréscimos com a reforma de 1971. No documento de 1943, colabora a pronúncia ss. E, por causa de uma divergência, cria-se uma treta danada.
 
Referências 
BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.

NASCENTES, Antenor. Dicionário da língua portuguesa(ABL). Bloch editores, sem ano. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

'Pronúncia do x: xenofobia e sintaxe. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, Consultado em 06-07-2020.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Vírgula antes de etc.


1)) Atualmente é  facultativo o uso da vírgula antes de etc., no entanto,  os grandes gramáticos  em sua maioria colocam vírgula antes de etc.

2)) Cegalla (2008) explica a origem e significado: "ETC. Abreviatura da expressão latina et cetera 
(= e as demais coisas). Costuma-se usar vírgula antes dessa abreviatura, embora ela contenha a conjunção e: Consertam-se fogões, geladeiras, máquinas de lavar, etc."

3)) Aliás, a defesa para não se usa a vírgula antes de etc. é etimológica, quem apoia tal doutrina, argumenta que não se usa vírgula antes da conjunção e (et). Todavia, se essa verdade etimológica for usada como justificativa, devemos abolir o "se" de suicida-se por se redundante. 
Continua Cegalla(2008): "este uso da vírgula (antes de etc.) é abonado pelo Vocabulário Ortográfico da ABL e por filólogos e gramáticos (Aurélio, Celso Cunha, BecharaGama Kury). Todavia, não constitui erro omitir 
o dito sinal de pontuação, neste caso. Há gramáticos, como Pasquale Cipro Neto, e lexicógrafos, como Houaiss, que não o usam."

4)) Para Costa (2004), a vírgula é obrigatória e explica : " quanto à pontuação, a rigor, seria etimologicamente inconcebível o uso da vírgula antes de etc.(...)".  Arnaldo Niskier (apud Costa, 2004) colabora e diz que a vírgula deve ser usada. E que o argumento de que originalmente a palavra já contém o e (et) não vale, pois o que conta é o acordo ortográfico vigente, e, diga-se de passagem, já não falamos latim, mas sim português.
Mesmo o novo Acordo ortográfico (2008) traz a vírgula antes do etc. 

5)) Saconni (2008) também considera a vírgula obrigatória: "não são poucos que desconhecem o PVOLP (pequeno vocabulário da língua portuguesa, que traz a vírgula em todos os seus parágrafos); daí encontramos a referida abreviatura sem a competente é necessária  vírgula anteposto até em compêndios que versam sobre a língua portuguesa."

6)) Não se deve usar a conjunção e antes de etc.:

A) Comprou leite, carne, suco e etc (errado). 

Creio que aqui as pessoas assim escrevem porque vêem etc. como uma palavra, não pensam  no seu sentido etimológico. É por isso que se coloca "e" antes de etc. 
A vírgula é recomendada antes de etc.,  já que a pronúncia também colabora pelo uso da vírgula:

B) Comprou leite, carne, suco  etc.

C) Comprou leite, carne, suco, etc.

A segunda frase soa melhor, porque sempre fazemos uma pausa. 

7)) "Pode-se empregar etc., mesmo com referência a pessoas e animais."(Cegalla,2008).

A) No museu havia gatos ,cães, aves, etc.

Alguns proliferadores de mitos gramaticais dizem que etc.  deve se referir só a objetos e coisas. Mas isso não é verdade. 

8)) Mestres, como Mattoso Câmara Jr. (1972,1981,2002) e Said Ali (1964), pelo uso nos seus livros, nos dão a ideia de vírgula facultativa. Novos autores de gramáticas (Fernando Pestana(2019), Marcelo Rosenthal (2011), Manoel P. Ribeiro (2011)) também preferem não usar,  eles afirmam que o uso é facultativo.

9)) Mesmo sem tocar no assunto, Celso Cunha (1980), Cunha/Cintra (2001), Eduardo Carlos Pereira (s/d), Rocha Lima (2000),  Evanildo Bechara (2002, 2009),Silveira Bueno (1968) e Epifânio Dias (1970), observando suas gramáticas, percebemos que o uso é obrigatório. Polêmicas, polêmicas...da Língua Portuguesa culta. Mesmo hoje o uso sendo facultativo, o assunto ainda causa divergência.

Referências 

ALI, M.Said.Gramática secundária e Gramática histórica da língua portuguesa.  Brasília : UnB, 1964. 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

BUENO, Silveira. Gramática normativa da língua portuguesa: curso superior.7.ed. São Paulo: Saraiva,1968.

CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Dicionário de linguística e gramática. 9.ed. Petrópolis : Vozes,1981.

CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Manual de expressão oral & escrita . 21. ed. Petrópolis : Vozes,2002.

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso.  Princípios de linguística geral. 4.ed. Rio de Janeiro : Livraria Acadêmica ,1972. (Volume 5, Biblioteca brasileira de filologia)

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.

COSTA, José Maria da. Manual de redação profissional. 2.ed.Campinas: Millenium,2004.

CUNHA, Celso Ferreira da. Gramática da língua portuguesa. 7.ed. Rio de Janeiro : FENAME, 1980.

CUNHA, Celso & CINTRA , Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3.ed. Rio de Janeiro : Nova fronteira, 2001.

DIAS, Augusto Epiphanio da Silva. Syntaxe histórica portuguesa. 5.ed. Lisboa: Livraria clássica editora , 1970.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática expositiva : curso superior.  94.ed. São Paulo : Companhia editora nacional, sem data. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.

SACONNI,Luiz Antonio. Nossa gramática completa Saconni: teoria e prática.  29.ed. São Paulo : Nova geração, 2008.


terça-feira, 14 de julho de 2020

Complemento relativo vs objeto indireto

1)) A NGB (Nomenclatura gramatical brasileira,1959), que unificou a nomenclatura das gramáticas brasileiras, não faz distinção entre complementos verbais  preposicionados, ou seja, classificando todos os complementos introduzidos por preposição necessária como objetos indiretos

2)) A maioria dos gramáticos segue a NGB, entretanto... lá vem polêmica...há dois gramáticos de peso, Rocha Lima e Evanildo Bechara, que fazem a separação entre complemento relativo(CR) e objeto indireto(OI).  A estudiosa Vera L. Rodrigues(2003) é a favor da separação, seguindo o pensamento de Lima e Bechara. Já Olmar G. da Silveira (1996) argumenta que a questão necessita de estudos mais profundos. E Adriano da Gama Kury (1991) diz: " nem doutrinária, nem,muito menos, didaticamente,  nos parece aconselhável tal separação: em primeiro lugar, não se fez ainda, em nossa língua, o estudo definitivo que está por merecer o objeto indireto, apesar da tentativa de Rocha Lima (Uma Preposição Portuguesa); e a presença obrigatória da preposição sem valor cirscuntacial é suficiente para a caracterização estrutural dessa função sintática."

3)) O OI complementa verbos transitivos indiretos (VTI) e verbos transitivos diretos e indiretos (VTDI)  que necessitam de um complemento preposicionado. Aliás, para Lima (2000) e Bechara (2002,2009), os OIs representam à pessoa ou à coisa "a que se dirige ou destina a ação ou estado que o processo verbal expressa" (Lima,2000). São sempre introduzidos pelas preposições(mais comum) e PARA, e podem se substituídos, na terceira pessoa, pelos pronomes átonos lhe/lhes

Dar esmola a um mendigo / Dar-lhe esmola (R.Lima)

Mandei flores para a noiva / Mandei-lhe flores(R.Lima).

4)) Já o CR é ligado ao verbo pelas preposições a ,com,de,em,etc. Tendo valor de objeto direto(OD) (Lima, 2000). Ele não representa o ser ou a coisa beneficiado ou prejudicado na ação verbal, mas o ser sobre o qual recai a ação. E não pode ser substituído por lhe/lhes, mas por pronome pessoal tônico ela (s)/ele(s) precedido da preposição exigida pelo verbo. 

Gosto de Alice.

Gosto-lhe(errado)

Gosto dela(correta)

Semanticamente o CR está mais próximo do OD (o ser sobre o qual recai a ação.), mas formalmente está próximo do OI (pela exigência da preposição).

Amo você (OD). / gosto de você (CR)

5)) Como diferenciar  OI do CR quando introduzidos pela preposição A?

A)Prefiro ele a você.

B)Desejo felicidades a você.

A frase A não representa um ser beneficiado, não pode ser substituído por lhe, por isso é CR. Já a frase B representa o ser beneficiado e pode se substituído por lhe: Desejo-lhe felicidades.

6)) Bechara (2009) afirma que é quase nula a frequência numa frase de OD com CR

A jovem pôs os livros (OD)  na estante (CR).

Continua o eminente gramático dizendo que muitos verbos alternam a sua construção com OD ou CR :

ajudar a missa (OD) / ajudar à missa (CR).

7))Para Lima, OI não se pode apresentar sob forma oracional, isto é , não existe oração subordinada objetiva indireta. Bechara diz o contrário.

 8)) Apesar de Marcelo Rosenthal (2011) dizer que nos concursos públicos,  não é feita tal distinção (CR x OI), sendo os dois casos absorvidos pelo objeto indireto. No entanto...
Vejamos como isto caiu numa prova... 
(IBADE- PREF. DE VILHENA/RO-ADVOGADO-2019)
A oração subordinada transposta substantiva aparece inserida na oração complexa exercendo funções próprias do substantivo. Em qual das alternativas abaixo a oração subordinada transposta substantiva aparece exercendo função de objeto indireto? 

(A) Enildo dedica sua atenção a que os filhos se eduquem (GABARITO)
(B) O pai viu que a filha saíra 
(C) Todos gostam de que sejam premiados 
(D) A verdade é que todos foram aprovados 
(E) Convém que tu estudes

Todas as frases da questão são da gramática do Bechara. REPARE  na letra C...Isso mesmo, ela não foi considerada como OI, o que nos faz presumir que foi encarada pela banca como CR. Na reposta aos recursos, a banca usa a gramática do Bechara para defender o seu gabarito. Como não havia bibliografia específica para o concurso, esta questão deveria ter sido anulada.

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

RODRIGUES, Vera Cristina. Dicionário Houaiss: Verbos, conjugação e uso de preposições. 1.ed. Rio de Janeiro : Objetiva ,2003.

ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.

SILVEIRA, Olmar Guterres da. Reflexão sobre os fatos de sintaxe(p.42-47). Padrões frasais do Português(p.48-51). In FREITAS ,Horácio Rolim de (org). A obra de Olmar Guterres da Silveira. Rio de Janeiro : Metáfora ,1996. 

domingo, 5 de julho de 2020

Vírgula e adjunto adverbial deslocado

1)) Essa treta entre os gramáticos é antiga. E pega fogo nos concursos públicos que estão a cada dia mais difíceis com relação à língua portuguesa. 

2)) Dependendo do tamanho e da posição do adjunto adverbial, a vírgula pode ser obrigatória, proibida ou facultativa. Alguns exemplos :
*A família chegou hoje. (ordem direta Sujeito+Verbo+Adj.Adv., vírgula proibida)

ATENÇÃO: mesmo na ordem direta, Cláudio Cezar Henriques (2005) diz que a vírgula tem valor estilístico quando colocada antes do adjunto adverbial que não esteja antecipado: 

*Vou ao cinema hoje

**Vou ao cinema, hoje.

*Deves procurar um médico,  em caso de muita necessidade.

**Chegarei, de manhã.

Aumenta a expressividade dando ênfase ao adjunto. Isso pode ser usado com adjuntos de duas palavras independentes da posição na frase. 

*Hoje vou ler um romance.

**Hoje, vou ler um romance.

*De manhã  vou à casa de mamãe. 

**De manhã , vou à casa de mamãe. 

*Hoje(,) a família chegou.

Vírgula facultativa com até duas palavras, mais de duas palavras, para Henriques, as vírgulas são obrigatórias:

*Na semana passada, fui ao Teatro (C.C.Henriques)

**Fui, na semana passada, ao Teatro.(Nunca use só uma vírgula. Veja: Fui, na semana passada ao Teatro (errado)).

*Fui ao Teatro na  semana  passada.

**Fui ao Teatro , na semana passada.( uso estilístico)

3)) Vejamos o posicionamento do mestre Rocha Lima (2000 [1957], p.460): "Sendo o adjunto adverbial de pouca longura, expresso,  Por UM SIMPLES ADVÉRBIO, pode diapensar-se a vírgula,  ainda que ele venha deslocado ."

4)) Celso Cunha (1980)  também diz que sendo de pequeno corpo (um advérbio), dispensa-se a vírgula. Usa se vírgula caso queira realça os adjuntos adverbiais, esse também é o posicionamento de Cereja/Magalhães (2012). Ele, Cunha, também deixa claro que é de regra não usar vírgula, quando o adjunto adverbial  seguir imediatamente o verbo com sujeito posposto: "por cima do alagadiço termina nuvens de mosquitos" (G.Amado)

5)) O eminente gramático Evanildo Bechara ( 2009, p.610) assim se posiciona: "para separar, em geral, adjuntos adverbiais que precedem o verbo e as orações adverbiais que vêm antes ou no meio da sua principal: 

'Eu mesmo, até então, tinha-vos em má conta…' [Machado de Assis] 

'[…] mas, como as pestanas eram rótulas, o olhar continuava o seu 
ofício […]' [Idem]".

6)) Já Nicola/Terra(1998) dizem que se o adjunto intercalado ou anteposto for de pequena extensão (um simples advérbio ) não se usa a vírgula,  uma vez que não houve quebra da sequência lógica do enunciado. 

*Os jogadores SEMPRE buscam a Vitória  (facultativa )

**NAQUELE CAMPEONATO, os jogadores demostraram despreparo físico e técnico . (Obrigatória )

7)) Pelos exemplos desses grandes gramáticos, fica a lição de que sendo o adjunto adverbial, de pequena extensão, ou seja, com uma palavra, Cunha, Cereja/Magalhães, Cunha/Cintra, Rocha Lima, Bechara e Nicola/Terra são taxativos de que a vírgula será facultativa (Amanhã(,) viajaremos), a partir de dois vocábulos(Um dia, ela voltará ao Brasil ), obrigatória; exceção só nos casos especificados acima. Ensino divergente é o de Cláudio Cezar Henriques (2005), para ele, a vírgula é obrigatória com mais de dois advérbios, ou seja, com três. 

 8)) Um adendo, muito cuidado com a vírgula nestes casos:

A) Aqui se trabalha .

B) Aqui, trabalha-se.

C) Aqui , se trabalha . (Errada)

D) Aqui trabalha-se.(errada)

Lembre-se que pronome átono não inicia frase, por isso com vírgula, a ênclise é obrigatória nas frases B e C , e sem a vírgula, a próclise é obrigatória na frase A e D.

9)) Com relação às provas de concursos, segundo Pestana (2019), a banca FCC aceita como facultativa a vírgula mesmo com adjuntos com mais de três palavras. E alerta ainda que "se o adjunto adverbial deslocado (ou oração adverbial) estiver enfatizado pela expressão expletiva formada por ser+que, não será separado por vírgula do restante da frase: Naquela rua, é que ocorrem assaltos (errado); Naquela rua é que ocorrem assaltos(certo); É Naquela rua, que ocorrem assaltos(errado); É naquela rua que ocorrem assaltos (certo)."

10)) Enfim, uma locução adverbial com três palavras ou mais deve ser virgulada.


#OBSERVAÇÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar.

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

CEREJA, William Roberto ; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português linguagens. 8 ano. 7.ed. São Paulo : Saraiva, 2012

CUNHA, Celso Ferreira da. Gramática da língua portuguesa. 7.ed. Rio de Janeiro : FENAME, 1980.

CUNHA, Celso & CINTRA , Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3.ed. Rio de Janeiro : Nova fronteira, 2001.

HENRIQUES , Cláudio Cezar. Sintaxe portuguesa para a linguagem culta contemporânea: teoria e prática.  5.ed. Rio de Janeiro : EdUERJ, 2005.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

NICOLA, José de; TERRA, Ernani. 1001 dúvidas de português. 4.ed. São Paulo: Saraiva,1998. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

As polêmicas gramaticais

Conflito, Desacordo, Discussão, Discutindo, Frustração
IMAGEM do google imagens

Não é de hoje que a língua portuguesa cria inimizades entre as pessoas. A variante culta já provocou através do tempo inúmeras brigas, citarei algumas de cor:

1) Otoniel Mota e Said Ali, a respeito do pronome se; 

2) Cândido de Figuereido e Heráclito Graça;

3) Ernesto Carneiro e Rui Barbosa, a mais famosa "treta" gramatical do Brasil.

 Essas foram algumas, houve outras e continuam ainda nos dias de hoje. Nas redes sociais, sites e blogs, de vez em sempre, ocorrem acaloradas discussões a cerca da língua portuguesa, culta e bela. Aqui trarei algumas dessas discussões, posicionamentos diferentes e polêmicas entre os nossos principais gramáticos normativos. Enfim, é isso. 

EM MÃO / EM MÃOS ???

1) Dicas de português culto se proliferam pelas redes sociais e os malefícios estão nestas postagens que ensinam errado.  E não ...